Do avesso...
Serena sente saudades, mas ela
é a outra e quem está cuidando dele é a titular. Deu uma dorzinha no coração
quando soube por ele que está sendo muito bem cuidado, com muito carinho e
amor.
Ela se sente excluída por não
poder estar perto dele nesse momento em que ele fez uma cirurgia e irão ficar
trinta dias sem se verem. Nem a voz dele vai poder ouvir todos os dias como
faziam. Agora com ele em casa, isso por ora não é mais possível.
Ele também sente saudades dela,
principalmente quando acorda excitado. Sabe que tem que ficar trinta dias sem
sexo e isso o deixa mais aceso mesmo sabendo que se fizer vai sentir dor.
Na loucura que só os amantes
têm por não temerem serem descobertos. Ele a chama para sua casa numa noite de
sábado quando todos estarão numa festa de aniversário de alguém da família em
outra cidade. Ela vai, se cobre com capuz e entra na casa dele sorrateiramente.
Os dois se beijam loucamente, ele geme de prazer e de dor, a excitação provoca
dor. Ela sabe que farão amor. Deitados, faz carinho e o beija. Serena sabe que terá que ser delicada, sorve e
acarinha-o. Percorre com a boca e sente toda a vontade dele em querer ela, mas tem
que ir com calma. Ele brinca com seus dedos provocando nela um prazer enorme.
Ali os dois juntos sentem o prazer no seu clímax, ela nos dedos dele, ele nos
lábios dela. Vem aquele torpor gostoso e os dois se enroscam abraçados e ficam
ali quietos sentindo a respiração suave e tranquila um do outro.
Relaxados e saciados, ouvem o barulho do
portão se abrindo, não se aperceberam que a hora tinha passado.
Ela corre, pega todas as suas
coisas e ele a conduz para a lavanderia para se esconder. Ali agachada, com o
coração parecendo um vulcão, ela vê a família entrando pela porta da sala. Ali
encolhida com a carga de adrenalina a
mil pensa no que fazer, como sair dali sem ser vista. Ouve vozes vinda da casa
e teme em ser descoberta, não quer que seja dessa forma, não assim, de uma
forma escusa. Escuta alguém chegando e se apavora. Coração salta pela boca, seu
corpo treme todo. Quem será?
É o filho dele que a chama falando baixinho: Vem.
A conduz pelo corredor, ambos agachados para fora da casa. Serena ainda ouve
Fernando conversando com a titular distraindo-a, sua voz tinha um timbre
aparentemente tranquilo, mas ela sabia que por dentro o nervoso se fazia. Fred,
o filho dele a leva para a rua de cima e volta para não ser percebido pelos
vizinhos. Nada fala e vai embora. Serena sente no silêncio de Fred um quê de
recriminação.
Serena precisa voltar para o outro lado da rua
próximo a casa de Fernando, onde o carro dela está. Resolve jogar fora o casaco
com capuz que a encobria e desce tranquilamente até o carro, sentindo-se leve,
faceira e feliz por ter estado nos braços do seu amor e por se fazer também presente
nesse momento da vida dele. Cruza com duas mocinhas subindo a rua e reconhece
numa delas a filha de Fernando, sabe que é ela pelas fotos do facebook. Sorri
para as duas e diz boa noite! Atravessa a rua e dá partida no carro e escuta a
amiga da filha dizer: “Nossa, de onde saiu essa loira, nunca a vi por aqui? Bonitona
ela. Será que é namorada de alguém daqui?”.
Serena parte. Na rodovia que a
leva de volta para casa sorri feliz e satisfeita. Apesar do tremendo susto que
levou e de quase ter sido descoberta numa situação humilhante, aplacou a
saudade que sentia de Fernando.

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