sexta-feira, 18 de maio de 2012



Do avesso...

Serena sente saudades, mas ela é a outra e quem está cuidando dele é a titular. Deu uma dorzinha no coração quando soube por ele que está sendo muito bem cuidado, com muito carinho e amor.

Ela se sente excluída por não poder estar perto dele nesse momento em que ele fez uma cirurgia e irão ficar trinta dias sem se verem. Nem a voz dele vai poder ouvir todos os dias como faziam. Agora com ele em casa, isso por ora não é mais possível.

Ele também sente saudades dela, principalmente quando acorda excitado. Sabe que tem que ficar trinta dias sem sexo e isso o deixa mais aceso mesmo sabendo que se fizer vai sentir dor.

Na loucura que só os amantes têm por não temerem serem descobertos. Ele a chama para sua casa numa noite de sábado quando todos estarão numa festa de aniversário de alguém da família em outra cidade. Ela vai, se cobre com capuz e entra na casa dele sorrateiramente. Os dois se beijam loucamente, ele geme de prazer e de dor, a excitação provoca dor. Ela sabe que farão amor. Deitados, faz carinho e o beija.  Serena sabe que terá que ser delicada, sorve e acarinha-o. Percorre com a boca e sente toda a vontade dele em querer ela, mas tem que ir com calma. Ele brinca com seus dedos provocando nela um prazer enorme. Ali os dois juntos sentem o prazer no seu clímax, ela nos dedos dele, ele nos lábios dela. Vem aquele torpor gostoso e os dois se enroscam abraçados e ficam ali quietos sentindo a respiração suave e tranquila um do outro.

 Relaxados e saciados, ouvem o barulho do portão se abrindo, não se aperceberam que a hora tinha passado.

Ela corre, pega todas as suas coisas e ele a conduz para a lavanderia para se esconder. Ali agachada, com o coração parecendo um vulcão, ela vê a família entrando pela porta da sala. Ali encolhida  com a carga de adrenalina a mil pensa no que fazer, como sair dali sem ser vista. Ouve vozes vinda da casa e teme em ser descoberta, não quer que seja dessa forma, não assim, de uma forma escusa. Escuta alguém chegando e se apavora. Coração salta pela boca, seu corpo treme todo. Quem será?

 É o filho dele que a chama falando baixinho: Vem. A conduz pelo corredor, ambos agachados para fora da casa. Serena ainda ouve Fernando conversando com a titular distraindo-a, sua voz tinha um timbre aparentemente tranquilo, mas ela sabia que por dentro o nervoso se fazia. Fred, o filho dele a leva para a rua de cima e volta para não ser percebido pelos vizinhos. Nada fala e vai embora. Serena sente no silêncio de Fred um quê de recriminação.

 Serena precisa voltar para o outro lado da rua próximo a casa de Fernando, onde o carro dela está. Resolve jogar fora o casaco com capuz que a encobria e desce tranquilamente até o carro, sentindo-se leve, faceira e feliz por ter estado nos braços do seu amor e por se fazer também presente nesse momento da vida dele. Cruza com duas mocinhas subindo a rua e reconhece numa delas a filha de Fernando, sabe que é ela pelas fotos do facebook. Sorri para as duas e diz boa noite! Atravessa a rua e dá partida no carro e escuta a amiga da filha dizer: “Nossa, de onde saiu essa loira, nunca a vi por aqui? Bonitona ela. Será que é namorada de alguém daqui?”.

Serena parte. Na rodovia que a leva de volta para casa sorri feliz e satisfeita. Apesar do tremendo susto que levou e de quase ter sido descoberta numa situação humilhante, aplacou a saudade que sentia de Fernando.




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