sexta-feira, 11 de maio de 2012


DESAPEGO

Quatro silabas fáceis de pronunciar e tão difícil de vivenciar.

Vivi quase cinco anos um amor pela metade. Fui “namorante” de Fernando.

Um amor forte e ao mesmo tempo frágil. Vivi com ele altos e baixos como diz o ditado popular “Comi o pão que o diabo amassou”, tamanha a dor que sentia nos meus momentos de tristeza em me ver sozinha em datas em que todos estão com as pessoas que amam.

Vi minha vida escorrendo pelos dedos. Não sou mais uma menina, cada minuto, segundos, horas são importantes.

Nós seres humanos nos acostumamos com o que vivemos mesmo que isso seja algo que não nos faz mais feliz, nos acostumamos com a rotina, tememos o novo, aquele território eu conheço, mesmo que o terreno seja íngreme e de muitas ladeiras e subidas.

Rompi várias vezes nesses quase cinco anos e voltei todas. Estou vivendo hoje mais um rompimento e dessa vez aplicando o desapego, mas para isso preciso preencher com o novo o buraco que meu amor por Fernando deixou. Isso por um tempo me paralisou, o medo paralisa.

Estou vivendo feito um drogado, um dia por vez, não posso chegar perto nem falar com ele. Estou fragilizada e posso ter mais uma recaída e novamente começar o processo tudo de novo,  isso não é bom mina a minha autoconfiança. Cada dia um progresso, hoje, por exemplo, tinha guardado em meu celular três mensagens de Fernando, todo dia entrava em minha caixa postal para ouvi-lo e meu coração doía, mas era a forma de ter ele ainda comigo. Isso não era bom, não ajudava em nada em minha evolução para o novo. Não entrei mais e as mensagens foram apagadas do sistema, essa pequena vitória me deixou confiante.

Paula, minha terapeuta disse: “Serena, você precisa vencer seus medos e caminhar em frente, se dar novas oportunidades, preencher o vazio que fica onde antes estava Fernando, dê o primeiro passo, e depois mais um e mais um... você dá conta”.

Estar aqui, criar esse blog, faz parte desse primeiro passo. A minha condição de “namorante” (não gosto da palavra amante) de Fernando não me fazia feliz apesar do amor que ainda sinto por ele. Sabia que não ia passar disso, momentos felizes entre  quatro paredes e depois a solidão.

Preciso dizer adeus, desapegar e olhar para frente, para o novo que virá.




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